Terapia de casal: quando a mesma briga sempre volta
O que se repete em um vínculo quando o problema parece mudar, mas a cena permanece
Há casais que chegam à terapia dizendo que discutem sempre pela mesma coisa. Outros dizem justamente o contrário: brigam por tudo. Dinheiro, sexo, tarefas da casa, ciúme, família, trabalho, mensagens não respondidas, decisões sobre filhos, horários, viagens. Os assuntos mudam, mas, depois de algum tempo, ambos começam a reconhecer uma sensação incômoda: a discussão parece diferente, mas termina quase sempre no mesmo lugar.
Um cobra porque se sente ignorado. O outro se afasta porque se sente pressionado. Quanto mais um insiste, mais o outro se fecha; quanto mais o outro se fecha, mais a insistência aumenta. Em outra relação, um tenta explicar exaustivamente aquilo que sente enquanto o parceiro escuta cada explicação como uma acusação. Há casais em que quase qualquer divergência termina na pergunta sobre quem ama mais, quem cede mais, quem fez mais pelo vínculo ou quem está novamente decepcionando o outro.
Nem sempre falta conhecimento sobre “como se comunicar melhor”. Muitas pessoas já sabem que deveriam interromper menos, ouvir mais, esperar o momento de maior irritação passar ou tentar compreender o ponto de vista do parceiro. Podem ter feito acordos depois de inúmeras conversas e conseguido mantê-los por algum tempo. Ainda assim, algo retorna.
É nesse ponto que uma terapia psicanalítica de casal pode formular uma pergunta diferente. Não apenas sobre o que vocês estão brigando?, mas o que acontece entre vocês quando essa briga começa?
Essa mudança parece pequena, mas altera o lugar do conflito. O problema deixa de ser apenas o tema da discussão e passa a incluir a forma como duas pessoas entram, repetidamente, numa determinada cena.
Quando o assunto muda, mas a posição permanece
É natural procurar a causa de uma briga no acontecimento que a desencadeou. Se começou porque alguém chegou tarde, a questão parece ser o atraso. Se surgiu depois de uma compra, parece ser dinheiro. Se começou porque um dos dois demorou a responder uma mensagem, talvez pareça um problema de comunicação.
Às vezes é exatamente isso. Casais também enfrentam problemas concretos, diferenças reais de valores, hábitos incompatíveis e decisões que precisam ser negociadas. Uma leitura psicanalítica não deveria transformar cada desacordo cotidiano numa manifestação obscura do inconsciente. Mas há situações em que resolver o assunto não encerra a experiência que se produziu em torno dele.
O atraso é explicado, mas permanece a sensação de não importar. As contas são reorganizadas, mas retorna a experiência de que um controla enquanto o outro se sente diminuído. A mensagem finalmente chega, mas o sofrimento parecia dizer respeito menos ao telefone do que à incerteza sobre o lugar ocupado para o outro. Nesses casos, pode existir uma lógica relacional que reaparece através de diferentes acontecimentos.
A questão não é descobrir rapidamente “quem começou”. É compreender como aquela sequência se organiza e o que ela produz nos dois sujeitos que participam dela.
Na terapia psicodinâmica de casal, esse deslocamento é central. Arthur Nielsen descreve, entre seus focos clínicos, as questões subjacentes ao conflito manifesto, as diferenças entre as experiências subjetivas dos parceiros, a transferência e os processos projetivos envolvidos na relação. Não se trata de substituir fatos por interpretações, mas de ampliar aquilo que pode ser pensado sobre o vínculo.
O mesmo relacionamento pode ser vivido de duas maneiras
Uma das experiências mais difíceis da intimidade é descobrir que o outro pode viver a mesma relação de uma maneira muito diferente. Para uma pessoa, perguntar onde o parceiro está pode significar interesse. Para a outra, pode ser experimentado como controle. Um silêncio pode ser tentativa de evitar uma discussão e, ao mesmo tempo, ser sentido pelo outro como abandono. Uma necessidade de proximidade pode significar cuidado para alguém e invasão para quem a recebe.
Isso não significa que todas as leituras sejam igualmente verdadeiras em termos factuais ou que qualquer comportamento se torne aceitável porque possui um significado subjetivo. Significa apenas reconhecer que não reagimos exclusivamente ao ato objetivo do outro. Reagimos também ao lugar que aquele ato encontra na nossa história. Uma frase aparentemente pequena pode tocar uma experiência antiga de desqualificação. Uma demora pode mobilizar medo de abandono. Uma crítica pode adquirir enorme intensidade para quem construiu boa parte do próprio valor através da aprovação. Uma demanda de proximidade pode ser difícil para alguém que aprendeu a associar intimidade à perda de espaço.
É por isso que “não foi isso que eu quis dizer” frequentemente não encerra uma discussão. A intenção de quem fala e aquilo que o outro consegue escutar naquele momento não coincidem necessariamente. O trabalho do casal não consiste em escolher qual experiência deve prevalecer, mas em criar condições para que uma não precise apagar imediatamente a outra.
Quando cada um passa a representar uma parte da relação
Com o tempo, alguns casais parecem distribuir posições entre si. Um passa a ser “o racional” e o outro “o emocional”. Um é o responsável; o outro, o irresponsável. Um deseja mais proximidade; o outro precisa de distância. Um toma decisões; o outro parece nunca decidir. Um cobra; o outro evita.
Essas posições podem se tornar tão familiares que passam a ser tratadas como características fixas de cada parceiro. Mas a relação também participa de sua manutenção. Um casal pode chegar dizendo, por exemplo, que um dos dois é incapaz de decidir. Durante o trabalho, talvez se perceba que toda tentativa de decisão é rapidamente corrigida, antecipada ou assumida pelo outro. Quanto mais um decide pelos dois, menos espaço o parceiro encontra para se posicionar; quanto menos ele se posiciona, mais o primeiro confirma a convicção de que precisa assumir tudo.
Isso não significa que ambos sejam igualmente responsáveis por tudo o que acontece. Significa que, em determinadas situações, uma posição pode ajudar a sustentar a outra. É nesse campo que a psicanálise de casal utiliza, com cuidado, conceitos como identificação projetiva. Nielsen descreve esse processo como uma possível ponte entre a vida psíquica individual e aquilo que se constitui interpersonalmente no casal. O conceito pode ajudar a compreender certas polarizações conjugais nas quais experiências difíceis de reconhecer em si passam a ser intensamente localizadas no outro e acabam participando de uma sequência relacional.
É importante não transformar isso numa fórmula. Identificação projetiva não significa que uma pessoa simplesmente “coloca” um sentimento dentro da outra, nem autoriza interpretar qualquer conflito como projeção. Um conceito só é clínico quando amplia a escuta; quando passa a explicar tudo, deixa de sê-lo.
“Se ele mudasse, nós ficaríamos bem”
É compreensível que alguém procure terapia desejando que o parceiro mude. Existem comportamentos que precisam, de fato, ser modificados. Relações não se sustentam apenas através de compreensão; responsabilidade também importa. A dificuldade aparece quando todo o sofrimento passa a ser localizado no outro.
A sessão corre então o risco de se transformar em tribunal. Cada parceiro apresenta sua versão, reúne provas e espera que o terapeuta confirme quem tem razão e indique ao outro o que precisa corrigir. Esse não é o lugar que uma terapia psicanalítica de casal deveria ocupar. Também não se trata de uma neutralidade indiferente. Há escolhas, mentiras, rupturas de acordos e ações que produzem consequências concretas. Reconhecer uma dinâmica do casal não elimina responsabilidade individual.
Quando existe condição para um trabalho conjunto, porém, a pergunta pode deslocar-se. Além de saber o que aconteceu e quem fez determinada coisa, torna-se possível investigar o que esse acontecimento passou a significar dentro daquela relação e como os dois passaram a responder a ele.
Por vezes, a busca incessante pelo culpado impede que apareça uma pergunta mais difícil: o que aconteceu com o vínculo para que os dois tenham chegado até aqui?
A escolha amorosa também não é inteiramente transparente
Uma relação não começa apenas quando duas pessoas se conhecem. Cada parceiro chega ao encontro trazendo experiências anteriores de cuidado, dependência, separação, intimidade, rivalidade, abandono, proteção e desejo. Isso não significa que escolhemos conscientemente pessoas que reproduzem nossa infância nem que toda relação amorosa possa ser explicada pela família de origem.
Seria uma simplificação. A psicanálise, porém, parte da ideia de que nossas escolhas afetivas não são inteiramente transparentes para nós. Algumas formas de reconhecimento nos atraem mais do que outras. Certos modos de vínculo parecem familiares. Algumas experiências são toleradas por muito tempo, enquanto outras se tornam insuportáveis rapidamente.
A tradição da Tavistock desenvolveu amplamente essa perspectiva ao pensar não apenas os dois indivíduos, mas também aquilo que se constitui no espaço entre eles. O trabalho psicanalítico com casais procura preservar simultaneamente essas duas dimensões: existem dois sujeitos, com histórias próprias, e existe também uma relação que adquiriu uma história, expectativas, defesas e formas particulares de funcionamento.
Isso impede dois reducionismos. O casal não é apenas a soma de duas psicologias individuais, mas também não constitui uma entidade que apaga os sujeitos.
O benefício não está apenas em “aprender a conversar”
Comunicação importa. Alguns casais precisam efetivamente aprender a escutar, falar de maneira menos agressiva, interromper escaladas de conflito ou conseguir expressar necessidades com maior clareza. Mas o trabalho psicanalítico procura alcançar também aquilo que acontece através dessa comunicação.
Por que uma frase relativamente simples adquire tanta intensidade? Por que determinados pedidos são imediatamente ouvidos como acusações? Por que, diante de certas situações, um precisa insistir até o limite enquanto o outro precisa desaparecer? Por que uma mesma discussão produz uma sensação tão familiar, mesmo quando o tema é novo?
O benefício específico da abordagem não está em fornecer uma fórmula capaz de impedir conflitos. Está em tornar pensável aquilo que anteriormente acontecia de maneira quase automática. Uma sequência que antes era apenas vivida pode começar a ser reconhecida. A pessoa que sempre percebe o afastamento do outro como prova de desamor talvez consiga notar o que acontece consigo antes que a cobrança cresça. O parceiro que se retira de toda situação de conflito pode começar a reconhecer que seu silêncio, embora tenha para ele uma função protetiva, também produz efeitos no vínculo.
A mudança não depende de descobrir uma explicação única. Ela pode começar quando aquilo que era imediatamente atuado encontra alguma possibilidade de representação e elaboração. Nesse sentido, a terapia não oferece somente melhores argumentos. Oferece um espaço para que a relação possa ser pensada.
Quando a relação entra na sala
Há uma particularidade importante na terapia de casal: o vínculo não chega à sessão apenas através do relato. Ele acontece diante do terapeuta. Um interrompe o outro. Um responde por ele. Alguém olha para o terapeuta esperando confirmação. Uma pergunta dirigida a um parceiro é respondida pelo outro. Um silêncio altera imediatamente o clima da conversa. Uma pequena mudança no tom produz uma reação conhecida pelos dois.
Esses acontecimentos não são distrações que afastam do “verdadeiro problema”. Muitas vezes constituem parte importante do material clínico. É também aí que a transferência pode ser observada. O terapeuta pode ser convocado para diferentes lugares: juiz, aliado, testemunha, tradutor ou autoridade capaz de finalmente convencer o parceiro. Em alguns momentos, cada integrante do casal pode imaginar que o terapeuta tomou partido, compreendeu melhor o outro ou confirmou secretamente alguma versão da história.
O trabalho não consiste em aceitar automaticamente esses lugares, mas em perceber o que essas expectativas revelam sobre a relação que está sendo construída na sessão. A psicoterapia psicanalítica de casal reconhecida pelo British Psychoanalytic Council trabalha justamente com processos inconscientes e pode utilizar a própria relação casal-terapeuta como foco do trabalho clínico.
Isso dá à terapia uma característica importante: não se fala apenas sobre aquilo que acontece na relação; às vezes é possível observá-lo enquanto acontece.
O terapeuta não precisa decidir quem está certo
Muitos casais chegam preocupados com essa possibilidade.
Esses receios não são banais. Frequentemente o casal passou muito tempo tentando estabelecer qual interpretação dos acontecimentos deve prevalecer. A posição analítica não consiste em fingir que todos têm sempre a mesma responsabilidade. Existem atos diferentes, consequências diferentes e assimetrias reais. Mas é possível recusar a ideia de que compreender o vínculo exige necessariamente condenar um parceiro e absolver o outro.
Nielsen chama atenção para a importância clínica de trabalhar com experiências subjetivas divergentes. Uma tarefa difícil para muitos casais é admitir que o outro pode experimentar determinada situação de maneira diferente sem que isso precise ser imediatamente traduzido como mentira, manipulação ou falta de amor. Reconhecer essa diferença não significa concordar com tudo. Significa aceitar que intimidade não elimina alteridade. O outro continua sendo outro, inclusive quando é amado.
Terapia de casal não significa salvar a relação a qualquer custo
Procurar terapia também não obriga duas pessoas a permanecerem juntas. Alguns casais chegam porque desejam reconstruir o vínculo. Outros não sabem se querem continuar. Em certas situações, um deseja permanecer enquanto o outro já não tem a mesma certeza. Transformar a manutenção da relação na medida do sucesso terapêutico seria decidir antecipadamente algo que pertence ao casal.
Às vezes o trabalho permite construir outra maneira de permanecer juntos. Em outros casos, ajuda duas pessoas a reconhecerem que a relação precisa terminar. Mesmo uma separação pode ser atravessada de modos diferentes. Ela pode acontecer em meio a uma guerra contínua, na qual cada encontro reproduz a mesma cena, ou pode começar a adquirir alguma possibilidade de elaboração. O objetivo não é salvar nem dissolver o vínculo.
É ampliar a capacidade de compreendê-lo suficientemente para que determinadas escolhas não sejam governadas apenas pela urgência, pelo ressentimento ou pela repetição.
Quando o conflito não é simétrico
Existe, entretanto, um limite fundamental para qualquer discurso sobre “a dinâmica do casal”. Nem toda relação conflituosa pode ser compreendida como se os dois parceiros participassem em condições equivalentes. Violência, coerção, intimidação, ameaças, controle financeiro, vigilância, isolamento ou medo significativo exigem avaliação específica de segurança e das assimetrias de poder existentes.
Nessas situações, dizer que “os dois constroem a dinâmica” pode produzir uma grave distorção: distribuir ao parceiro submetido à violência parte da responsabilidade por aquilo que sofre. A literatura sobre violência por parceiro íntimo recomenda cautela precisamente por isso. Terapia conjunta não é adequada indistintamente a todos os casos. Situações marcadas por coerção, controle e medo podem tornar o atendimento conjunto inadequado ou inseguro. Há evidências de que determinadas formas de violência situacional podem, em casos cuidadosamente selecionados, ser abordadas conjuntamente, mas isso exige triagem, avaliação de risco e condições específicas de segurança.
Portanto, a clínica precisa saber distinguir conflito conjugal de violência. A psicanálise não deveria transformar abuso em “comunicação inconsciente”, tampouco utilizar conceitos relacionais para apagar responsabilidade. Há momentos em que a segurança precisa vir antes da interpretação.
O que pode mudar quando a briga deixa de ser apenas repetida
A terapia de casal não promete uma relação sem conflitos. Duas pessoas continuarão tendo desejos diferentes, frustrações, desencontros e momentos nos quais uma não conseguirá compreender a outra. Uma vida amorosa sem nenhuma diferença talvez sequer fosse possível. O que pode mudar é a maneira como determinadas diferenças são vividas.
Uma discussão que antes parecia surgir subitamente pode começar a ser reconhecida antes de chegar ao mesmo desfecho. Um parceiro consegue perceber que determinado silêncio aciona nele algo maior do que aquela situação específica. O outro começa a notar como seu modo de se proteger contribui para intensificar a experiência da pessoa com quem vive. As posições podem perder parte de sua rigidez.
Não porque ambos aprenderam a forma correta de amar, mas porque aquilo que antes precisava ser imediatamente respondido pode, em alguns momentos, ser pensado. Essa passagem da atuação para a possibilidade de elaboração é uma das contribuições mais importantes de um trabalho psicanalítico com casais. O benefício não consiste em tornar as duas pessoas iguais, eliminar divergências ou ensinar técnicas para uma convivência ideal.
Consiste em aumentar a possibilidade de que cada um reconheça o próprio lugar na relação, perceba o parceiro como alguém que não existe apenas em função de suas expectativas e encontre outras maneiras de responder ao que antes parecia conduzir inevitavelmente à mesma cena.
Como penso o trabalho clínico com o casal
Quando um casal procura atendimento, não parto da ideia de descobrir quem tem razão nem de ensinar um modelo ideal de relacionamento. Interessa compreender o que trouxe aquelas duas pessoas até ali, o que cada uma vive naquele vínculo e o que parece repetir-se entre elas. Algumas vezes o problema está claramente formulado. Em outras, existe apenas a sensação de que as conversas deixaram de produzir encontro, pequenas situações adquirem proporções enormes ou ambos passaram a ocupar posições das quais já não sabem como sair.
Também importa preservar a singularidade de cada parceiro. O casal constitui um vínculo, mas continua sendo formado por dois sujeitos. Pensar a relação não significa apagar diferenças, histórias, responsabilidades ou desejos individuais. A terapia pode constituir um terceiro espaço, diferente da intimidade habitual do casal, em que aquilo que normalmente produz uma reação imediata possa ser observado antes de simplesmente acontecer outra vez.
Nem sempre isso ocorre rapidamente. Reconhecer uma repetição não significa deixar imediatamente de repeti-la. Assim como em outras formas de análise, compreender intelectualmente um funcionamento e poder modificá-lo não são a mesma coisa. A elaboração exige que aquilo que se tornou visível possa ser reconhecido em diferentes momentos e vivido de outras maneiras.
É por isso que a terapia psicanalítica de casal não se reduz a explicar ao casal qual é seu “padrão”. Trata-se de construir condições para que algo que até então era apenas repetido possa ser experimentado, reconhecido e elaborado de outra forma. Talvez, então, uma pergunta diferente possa aparecer. Em vez de apenas:
“Quem começou esta briga?”
pode tornar-se possível perguntar:
“O que acontece conosco quando chegamos aqui outra vez?”
Essa pergunta não resolve uma relação. Mas pode abrir um lugar onde os dois já não precisem responder da única maneira que aprenderam até então.
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Referências usadas no texto:
BRITISH PSYCHOANALYTIC COUNCIL. Psychoanalytic Psychotherapy with Couples. British Psychoanalytic Council.
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RUSZCZYNSKI, Stanley (org.). Psychotherapy with Couples: Theory and Practice at the Tavistock Institute of Marital Studies. London: Karnac Books, 1993.
